quarta-feira, 28 de julho de 2010

Trilogia de Erin - II- A Saga





Ando a esmo,
caminho no escuro,
tateio motivos,
vou!

Matreira e insana, por vezes,
insone, por noites,
caço!


Não estanco segundo,
pesquiso mentiras,
eterna agonia,
sou;
aquela que sabe,
não vê, só reage,
persegue na cega
e vai!

Tropeço, me ergo,
ferida, mas certa,
que há um segredo,
e eu sei!
Questiono desculpas,
não há quem convença,
a vil atitude, por quê?

A runas me contam, duvido, persigo
o que penso absurdo, e não é!
Num sonho, desperto
enfim, descortino a obra
infesta, que vi!
Banhado de sangue,
um pássaro aberto, o peito
pulsando,
Jaz!


Palavras infames!
Entregam às águas,
escondem dos deuses,
Ah!
Não há mais segredos,
liberto pesares,
desato os laços
e sigo!


Erin Berkana

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Trilogia de Erin - I - O Sortilégio




A mancha pulsa viva.
Azeda o todo.
Por vezes,
parece não existir,
mas logo exala
fétido e pútrido
nome,
cuja marcada existência,
um bem fará,
quando se extinguir.

Quem dera
não houvesse
rio de larvas
a contaminar
o que é hoje.

Quem dera
doces beijos
não tivessem
sabor ácido e frio.

Quem dera
a lua não tivesse
o semblante sujo;
e deixasse de ser
memórias de um
desvario.

Contudo devo-me contentar
com o que tenho hoje,
esta infame dor
e uma só certeza;
de que voltará
triplicada,
tornando nefasta a vida
de quem a causou.


Erin Morrigan

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Mergulho



É uma paixão inteira
corpo, pele, cada poro,
gosto, cheiro...
Tudo junto- misturado-


O coração pulsa,
quente, transborda,
enquanto numa mesma comunhão,
desejos, intenções, palavras
se aglutinam.


Colados, unidos de tal forma,
chegam a tocar a essência.
Encontro de Deus-Deusa
a celebrar o amor divino
e também o animal.

Numa cavalgada louca,
como estar em pelo
sobre um corcel alado
subindo ao céu
para beijar a alma.


Descer novamente a terra ,
numa velocidade incrível,
mais rápido que a luz,
com a sensação de vida e morte,
plena em êxtase!

O mundo pára,
nada mais há,
se não esse momento
m á g i c o.

Uníssono contínuo
como moto perpétuo,
engrenagem perfeita e absoluta
explode em áis,
expandindo um grito preso
num clarão difuso e cego.


Coisa encantada,
diabólica e santa
como a procura do fim
e o impulso do começo.

É como o parto,
o nascimento,
digo é já ter sido,
tão forte e certo,
como o brilho de uma estrela
que, embora morta
permanece.


Carmo

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Câncer em Áries





E de repente
explode uma dor
represada,
expondo gritos abafados
qual tormenta que destroi
pastagens
e carrega consigo
qualquer destroço
por onde passa.


Foi insuportável agonia
que causou um terror insano
de uma cólera,
revestida de calma,
e arrebentou
ao escancarar o cárcere.

Nuvens de medo e ira,
encobriram a razão,
alimentando a morte,
no prazer da vingança
alinhavada pelo tempo.

E hoje um sorriso amargo,
mostra dentes afiados,
fazendo escorrer o veneno
que mata,
mas também
afaga.

Carmo

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Agora





Ouço meus passos,
um pé após o outro,
o ruído dos carros
cada vez mais longe.

Asfalto, asfalto, terra, terra,
grama
um pouco de verde,
refúgio!


O canto de um pássaro
faz fugir meu foco.
Memórias gritam
e se aproveitam
da ausência momentânea
do agora.

Não as deixo entrar,
chicoteio lembranças
intruzas
e volto a ouvir meus passos.
Um pé após o outro,
grama, grama, terra,
asfalto.

Uma buzina,
sigo meu caminho,
é só o que tenho,
é só o que importa,
o caminho!

Nada mais!